quarta-feira, março 24, 2010

Don't Get Me Wrong - The pretenders

Se eu falar demais, além da conta, acima dos limites permitidos...
Don't get me wrong! rsrsrs

Valor de uma boa conversa

Cometo sincericídios diários. A psicóloga, provavelmente, deve achar isso uma "compulsão suicída" - já que essa tendência de falar o que penso, sem um filtro protetor, já me colocou em saias justas homéricas. Sempre achei, contudo, que essa característica, na verdade, tenta me proteger: como sei que vou falar mesmo, melhor dar a cara a tapa de uma vez. Ninguém pode me apontar o dedo dizendo que não sabia do meu ponto de vista. Podem falar outra coisa, menos que fui honesta.

Menos me justificar por ser assim e mais para defender essa posição é que me motivei a escrever. Estamos num mundo de tanta correria e tão pouco tempo para relacionamentos francos, que diante de uma fofoca, as pessoas preferem se refugiar indignadas a ter de esclarecer a situação. Sinceridade e transparência acabam se limitando a apenas algumas esferas sociais - e olhe lá. Mais frequente ouvir um "melhor deixar pra lá" do que um "vamos esclarecer a situação".

Hoje tive o maior exemplo de como a falta de conversas francas pode ser prejudicial, sobretudo no ambiente de trabalho - onde fofocas são alimentadas diariamente e pequenos deslizes comuns aos seres humanos podem ganhar uma dimensão inimaginável.

O hábito de ouvir as duas partes antes de tecer julgamentos deveria ser ensinado em casa, quando ainda somos bebês. A verdade tem inúmeras faces - todas elas repletas de razão e complexidade.

domingo, março 14, 2010

Um pouco de brasilidade, pra variar

A autoestima do brasileiro não é das melhores. Todos suspiram pensando como serÍamos um país melhor e mais justo se tivéssemos mais educação, se a distribuição de renda fosse mais igualitária, se o sistema de transporte funcionasse...

Esses dias, delirei de orgulho ao ouvir que nosso sistema de saúde é um dos mais modernos do mundo. Se não há democracia no atendimento, certamente é um alívio saber que há pessoas que vêm dos mais diversos lugares, de países desenvolvidos da Europa, Ásia e Estados Unidos, para se tratar por essas bandas.

Mas tive de engolir, ressentida, que seria possível escrever um guia das desculpas esfarrapadas que brasileiro dá para justificar atrasos, trocas de datas para compromissos agendados e outras "cositas a más". O que justificaria nosso atraso, nossa pequenez diante do restante do mundo.

Concordo em partes com a crítica. Certamente, estamos longe de ter a pontualidade britânica. Somos fraternais, perdemos o foco, não planejamos e esquecemos que o trânsito está cada vez pior, imprevistos acontecem e deixamos de nos colocar na posição de quem espera. Ok. Mas, certamente, admiro muito mais a flexibilidade do brasileiro em se adaptar às circunstâncias que ao imperialismo burro que só aceita o que é pontual e antecipado, e ponto final.

Diante de um imprevisto, temos jogo de cintura para mudar a agenda, rever prazos, providenciar alternativas e resolver um impasse. Abrimos o jogo, reinventamos a roda e invertemos prioridades. Saímos da zona de conforto, estudamos uma nova estratégia e a aplicamos, muitas vezes com sucesso, outras sem muita certeza, mas fazemos alguma coisa. E, melhor de tudo, sem deixar nada de fora - encaixamos um horário aqui, tomamos uma decisão menor acolá, mas cumprimos o calendário.

A superioridade burocrática alheia tumultua, perde o foco, tira o time de campo e recua com o rabo entre as pernas. Reclama de nós, mas não entende como chegamos onde chegamos, em meio ao caos, à corrupção e ainda sorrimos, gentis, sem deixar de estender as mãos a terceiros.

Desculpem o primeiro mundo. MAS NÓS, BRASILEIROS, SOMOS FODA!