quinta-feira, fevereiro 11, 2010

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

O sucesso e os brasileiros

Pode reparar: sucesso, no Brasil, embora desejado, é visto com desconfiança e despeito pelas pessoas.

Tudo começa na escola, quando o cara inteligente, que tira boas notas, é apelidado de nerd e CDF e, se não tiver jogo de cintura, é isolado pela turma inteira. E isso se repete ao longo da vida.

Tanto que, não raro, as pessoas se justificam para as outras por ter comprado um belo apartamento, ou trocado o carro mil por uma pick-up. E a sucessão de absurdos não pára por aí. Diante do crescimento alheio, as pessoas não se constrangem ao tecer comentários maldosos do tipo: "por que não escolhi essa profissão?", ou "tá esbanjando dinheiro, hein?". Como se fosse um pecado mortal preferir o conforto, o prazer e a comodidade; e como se não fosse natural que o esforço seja recompensado - inclusive com melhor padrão de vida.

Os funcionários reclamam se percebem que o patrão está com um terno de marca, um carro sofisticado e um novo apartamento. E confundem sociedade capitalista com paternalismo barato. A chefe bem sucedida, se reclama da equipe, é mal-amada. O chefe, ditador. O visionário vira corrupto, e por aí vai.

Na contramão disso, tem a falta de bom senso. Há pés-rapados que torram as parcas economias com um GPS quando seu meio de transporte é a bicicleta (sim, isso existe!). Há, ainda, pessoas que postergam os estudos e a qualidade de vida para comprar um carro (velho) que vai torrar metade do salário por exatos 60 meses.

Daí que, no Brasil, todo mundo aceita o "querer parecer rico". Mas rejeita quem, de fato, está crescendo na vida. Contribui-se, assim, para uma sociedade baseada em (falsas) aparências, pouco esforço e jeitinho. Triste e cruel realidade.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Primeira postagem de 2010 - ou a última de 2009

Poderia chamar esse post de primeiro de 2010, mas, como no Brasil o ano só começa depois do Carnaval, ainda permanece a sensação esquisita de paralisação, expectativa e total "não sei o que está por vir", típicas desta época.

Mas, enquanto pensava sobre o que escrever, soube que morreu na noite de ontem o Pena Branca. Não sou uma conhecedora da obra da dupla - ou de qq outra do gênero - mas sempre me emociono quando tenho a chance de ouvir, ao vivo, a alguma apresentação típica.

Tive a oportunidade de assistir a um dos últimos shows da dupla, juntamente com Renato Teixeira, num dos eventos promovidos pelo SESC Carmo, na época em que fui estagiária lá. Moleca que eu era, estava torcendo para a equipe de animadores culturais escolheu alguma banda de rock nacional ou, sei lá, algum cantor ou cantora que alguma emissora de rádio classificaria como "a nova safra da MPB", e torci o nariz quando soube quem animaria o Largo São Bento naquela ocasião. Mas, depois de me esbaldar de rir com uma animada quadrilha, ouvir ao show do trio foi, sem dúvida, um dos momentos ilustres da minha vida.

Pena Branca e Xavantinho, que até então eu desconhecia, eram de uma candura indescritível. O brilho os olhos e do vasto sorriso branco de ambos era um alento. Os dedos ágeis da viola caipira, um presente aos ouvidos - habituados àquela barulheira paulistana de trens, caos e trânsito. E a cumplicidade, compartilhada carinhosamente com Teixeira, uma lição de vida.

Difícil conter as lágrimas ao ouvir Romaria. E, não fui a única, aquele dia, que se extasiou, sorriu com os causos ingênuos, e agradeceu a Deus pela dádiva daquele presente tão inesperado, numa tarde qualquer no centro de São Paulo.