sexta-feira, novembro 06, 2009

Disfunção da ATM - essa desconhecida

O significado da sigla é esquisito: articulação temporomandibular. Os problemas que a disfunção provoca são ainda mais estranhos. Desde um simples "crec" na mandíbula e retração na gengiva, até enxaquecas insuportáveis, dores de ouvido e na coluna, bruxismo e maxilar travado, sobretudo em dias mais tensos. Segundo minha ortodontista, a disfunção pode causar até problemas graves de articulação nos braços e mãos, nas situações mais drásticas.

O tratamento é novo e poucos os dentistas conseguem um diagnóstico preciso. Invariavelmente vão tentar lhe obrigar a usar aparelho ortodôntico e, conforme a situação, mandar-lhe para um psiquiatra - que vai lhe receitar inúmeros remédios, resolvendo parte do problema, mas não a causa. Por desconhecimento - não por imperícia.

Eu percebi meus sintomas quando ainda estava na faculdade, há 11 anos, quando começaram a nascer meus dentes do ciso. A cada abertura da boca minha mandíbula estalava e, em algumas ocasiões, doía. Temi que num dia de empolgação qualquer, uma gargalhada ou um bocejo mais exagerados não me permitissem fechar a boca nunca mais. Fui procurar dentistas e TODOS diziam para eu usar aparelho. Meus dentes são perfeitos, não tenho mordida torta e, portanto, os achava pirados. Um, inclusive, confessou: "sou ortodontista, vivo de vender aparelhos. o que você queria que eu dissesse?". Ele tem uma clínica maravilhosa na Bela Vista. Nunca mais pisei lá.

Por livre e espontânea vontade, me autodiagnostiquei e solicitei que arrancassem meus dois cisos. O problema pareceu ter sido resolvido.

Para encurtar a história, há quatro anos, mais ou menos, que coincide com o tempo de sedentarismo em que me encontro, a situação se tornou esquisita. As dentistas começaram a pedir que eu visse um probleminha de retração no meu canino direito - o que me impedia de fazer clareamento dental. Disseram-me que eu estava escovando errado os dentes. Também comecei a sentir muita dor na nuca, era como se minha coluna, naquele ponto, estivesse constantemente inflamada. Tinha dores para virar a cabeça para o lado esquerdo. Dormia muito, mas TODO DIA, acordava cansada, parecendo que tinha corrido uma maratona. Atribui tudo isso à falta de atividade física, ao colchão, à mudança de vida...

Até que o ouvido começou a reclamar. E, corri para um otorrino. Foi ele, que também é acupunturista, que me falou fazendo um exame simples de toque nas juntas: "você não tem nada no ouvido. Procure um ortodontista especialista em ATM". E foi o que fiz.

Meu problema é travamento no maxilar, sobretudo nos momentos de tensão. Uma espécie de bruxismo sem ranger os dentes. Fui orientada a fazer fisioterapia térmica na região (5 minutos de bolsa de água quente em cada um dos lados do rosto, por meia hora). E agora uso a plaquinha de boxeador, kkk, durante a noite.

Isso tem menos de uma semana e eu já sinto os efeitos positivos do tratamento: durmo bem, acordo disposta e sem dor. Minha nuca e ouvidos não dóem e já consigo movimentar meu pescoço sem incômodo.

Me surpreendo com o tempo em que convivi com a dor e a indisposição, achando que o problema era um, e na verdade era outro.

Esse relato, portanto, é uma prestação de serviços. E um pedido para que cada pessoa fique muito atenta ao próprio corpo: viver com dor não é normal. E dormir sem ela, meu Deus. Que benção!