sexta-feira, abril 24, 2009

Nunca julgue um livro pela capa

Confesso: chorei, choro e continuarei chorando de emoção, cada vez que assistir a essa apresentação.

terça-feira, abril 14, 2009

Momento mágico

Na correria do dia-a-dia é difícil prestar atenção em pequeno momentos que fazem a diferença. Uma borboleta que pousa delicadamente numa flor, o canto de um passarinho, o sorriso de uma criança.

Em algumas raras vezes, porém, o instante é maior que a própria correria. Ontem, por exemplo. Saindo de casa de carro, notei uma movimentação esquisita, num lugar que não costuma ter congestionamento. Em princípio, parecia que a velocidade dos carros estava sendo reduzida porque havia um cachorro na rua, como tantos. O cachorro, porém, é daqueles donos de rua, habituados ao trânsito e que, portanto, não tinha motivo de ficar parado ali, no meio da avenida. Ao chegar mais perto, um susto. O cachorro estava sim, parado em pé, no meio da via. Mas não estava ali à toa. Na verdade, ele estava protegendo um filhotinho de uns dois meses, que se aventurou em atravessar a avenida, naquele exato momento. A cada passo do cachorrinho, o cachorrão dava outro. Se o cachorrinho ameaçava andar para trás, ele quase o abraçava, para protegê-lo do movimento. E assim foi, até o cãozinho terminar de atravessar e um rapaz tirá-lo do perigo.

A cena me comoveu e mostrou o quanto podemos aprender com esses bichinhos. Solidariedade. Falta isso em nosso mundo.

quinta-feira, abril 09, 2009

Direitos Humanos?

Ainda não escrevi a respeito por estar muito chocada. Mas há um mês, a irmã de um colega foi assassinada pelo namorado. A notícia me deixou tão estarrecida que fiquei sem coragem de perguntar como tudo aconteceu. Imaginei o mais simples: uma briga, muita raiva e um revólver. Porque essa mistura bombástica não dá tempo de refletir e, quando já se viu, BUM.

Mas, não. A notícia da morte de Priscila Tavares Ramos, uma menina linda, sorriso largo, olhos verdes, apenas 23 anos e que sonhava em ser delegada (!), foi divulgada pela mídia. E lá estava a coisa mais horripilante que imaginei acontecer: ela foi morta covardemente, com mais de 10 facadas pelo corpo. A família diz que a imprensa foi tímida em retratar a verdade: foram, na verdade, mais de 20 facadas.

Carlos Eduardo da Silva Braga, 29 anos, confessou o crime. Segundo a SSP, ele não ficará preso, pois, além de não haver flagrante, ele se apresentou espontaneamente à polícia - não oferecendo, portanto, risco à sociedade.

Matar a facadas me parece mais cruel e perigoso que um tiro. Como escrevi no começo: o tiro, uma vez dado, não tem como voltar atrás. Agora, facadas? Meu Deus! Você enfia uma vez, vê o sangue jorrar e nota logo que está ultrapassando todos os limites. Outra coisa: esse cara sequer teve a decência de chamar por socorro. Fugiu, largando a Priscila sem qualquer chance de sobrevivência.

Eu, que sempre fui uma defensora dos Direitos Humanos, passei a questionar essa sociedade - que dá a liberdade, ainda que condicional, a um ser humano que matou, sem questionar o que foi feito à vítima - e a toda a família dela.

Família e amigos têm ido à TV e aos rádios para exigir justiça. Fizeram passeatas para ver se mobilizam as autoridades para prender o assassino. E a pegunta que não quer calar é a seguinte: numa sociedade justa, alguém que mata outra pessoa não deveria ser presa? Ok... sendo as prisões uma escola de criminosos e ele não tendo antecedente, que não fosse preso numa cela comum - pelo menos não antes do julgmento, como prevê a lei. Mas, é fato: esse cara deveria ficar preso - pelo menos dentro de casa.

Agora, imagina a cena: alguém visita um amigo, vai ao McDonalds, no meio do caminho mata uma pessoa, vai ao cinema, se reúne com a família e volta a trabalhar. Assim, como quem escova os dentes.

Ironia desnecessária, não é?

Capote e o seu sangue frio

Terminei de ler o infindável "A sangue frio", de Truman Capote. O livro é daqueles ícones da literatura porque mostra um lado até então desconhecido do jornalismo. Um trabalho de fôlego e pesquisa feito pelo norte-americano durante os cinco anos que discorreram entre a chacina da família Clutter, a descoberta dos assassinos e o julgamento, que culminou na morte por forca dos dois condenados.

O trabalho é magistral: sabe-se lá como, Truman consegue descrever com riqueza de detalhes falas, pensamentos, personalidade de todos os personagens durante a tragédia, nos dias que se seguiram sem que ninguém desconfiasse quem seria o culpado e dos dias em que eles ficaram presos. Algo que, quem é jornalista sabe, não era comum na profissão, sobretudo por exigir tempo (de captação das informações, conversas, análise de documentos...) - o que nós não dispomos - como muita dedicação, imaginação e vontade de sair da mesmice.

Mas, confesso: o livro é pedante - pelo menos até chegar à prisão de Dick e Perry. Podia ter sido reduzido em pelo menos 50 páginas. E, por isso mesmo, me fez admirar ainda mais o filme de Bennett Miller, Capote, estreado por Philip Seymour Hoffman, no papel do próprio escritor, em 2005. O ator está perfeito e a adaptação para o cinema está incrível - como poucas já feitas.

quinta-feira, abril 02, 2009

Livros lidos

Faz tempo que não sugiro livros - o que não quer dizer que deixei de le-los.
Seguem algumas preciosidades:

Água para elefantes, de Sara Gruens: delicado, esse livro são memórias de um estudante de veterinária que, sem perspectivas, sai de casa sem rumo e arranja um emprego num circo. Personagens intrigantes e inesquecíveis a parte, quem chama a atenção mesmo é a Rose, uma elefanta pra lá de esperta, que só entende polonês e só faz o que quer. Fazendo uma analogia com um filme, o livro é tão fofo quanto "Peixe Grande". Daqueles pra ficar na cabeceira.

O Guardião de memórias, de Kim Edwards: história singela de um pai que descobre, na hora do parto da mulher, que ela está grávida de gêmeos e um deles, uma menininha, tem a síndrome de down. Por motivos mil, ele decide abandonar a menina num orfanato e dizer à mulher que a menina nasceu morta. O acontecimento marca, para sempre, a vida do casal, e da enfermeira que decide adotar a menina. Quase uma novela da Glória Perez.

Mais alguns de André Vianco: a coleção é grande, e eu estou decidida a terminá-la. Desta vez, li a saga do Turno da Noite (três volumes). Leitura despretensiosa, mas sem a força do Os Sete e Sétimo.