quinta-feira, junho 28, 2007

Anonimato revigorante

Hoje, tomei uma séria decisão. Explodi o orkut. Assim. Bum.

Não imaginei que tal escolha me seria tão libertadora.

E me traria com ela tantas reflexões.

Por exemplo: graças ao orkut, reencontrei pessoas que, hoje, me são caras.

Mas, por causa dele, me irritei tremendamente com outras que me bisbilhotavam, às vezes gratuitamente, e que insistiam em me cobrar explicações: sobre alguma comunidade, sobre meu comportamento, sobre meu perfil, sobre minhas fotos.

Deixemos de lado a hipocrisia. Do meu lado, fiz o mesmo. Descobri que um dos ditos amigos enganava a namorada enquanto pulava a cerca com outro homem. Cobrei satisfação, julguei-o e matei o resquício do amizade que ainda existia. Desvendei fofocas que me envolviam. Matei minha curiosidade observando fotografias que, às vezes, não diziam nada. Mas que em outras vezes me ajudavam a alimentar a saudade.

Li e postei depoimentos repletos de emoção. E outros, de falsidade.

Adicionei pessoas que vi uma única vez ou que já não faziam parte do meu presente. Algumas, nem fizeram parte do passado. Eram apenas rostos conhecidos na multidão. Um sorriso perdido, que já não me dizia absolutamente nada.

Li promessas de reencontros - que nunca se concretizaram. Surpreendi-me com os rumos que algumas pessoas tomaram. E me assustei com algumas ameaças de pessoas que, antes de uma conversa, pediam meu endereço, xeretavam minha página, teciam pré-julgamentos e fechavam portas, baseadas em falsas opiniões.

Aos poucos, mudei meu texto de apresentação. Tirei as fotos. Saí das comunidades pessoais. Eliminei os excessos. Deixei de lado a espontaneidade. Tornei-me um cartão de visitas frio e impessoal. Mudei até de nome.

Uma pergunta passou a me perseguir. Se, para manter minha privacidade, para preservar minhas opiniões, eu precisava me camuflar nesta comunidade virtual, qual o sentido de permanecer nela?

E percebi, feliz, que as pessoas que realmente me interessam, se esforçam para fazer parte da minha vida. E vice-versa. Essas já possuem outras formas de me contactar: e-mail, msn, telefone, endereço, celular. E, muitas delas, estão presentes nos momentos mais especiais. Ou nos mais singelos. Minha permanência no orkut, portanto, já fizera a sua parte.

Minhas fotos mais bacanas, se sou casada ou solteira, minha condição financeira, meus sonhos de consumo... meus medos e desejos, meus pequenos prazeres... e tudo aquilo que está dentro do meu universo particular só devem ser compartilhados por quem, de fato, merece.

Então, assim sendo, abandono esse pequeno 15 minutos de fama, essa tentativa de participar de um vasto mundo de Caras. E volto, feliz, para meu anonimato revigorante!

quarta-feira, junho 27, 2007

Sorte do dia

by orkut:
Você vai herdar uma grande quantia em dinheiro

pensamento do dia: pobre é uma merda até pra tirar "sorte" em realejo. Será possível que pra ganhar dinheiro precisa morrer alguém?

desejo da semana: só quero um serviço bacana, que me dê pouco trabalho e que me pague bem.

certeza do mês: vou começar a colocar em prática, para todo o sempre, os ideais defendidos pelo filme "The Secret". Se não der certo, pelo menos me preocupei menos com as coisas.

segunda-feira, junho 25, 2007

Céu


Detesto frio. Mas tenho de admitir: o céu do inverno em SP está encantador, apesar da poluição. Essa foto, por exemplo, mostra a visão que tenho do meu home-office.

segunda-feira, junho 18, 2007

Ódio no meu coraçãozinho

Assistir ao Lost é ficar, a cada dia que passa, com mais ódio no coração. Aquela loira aguada da Juliet e o maldito Ben (que, sem dúvida, é o melhor personagem da série) deviam ser mortos e exterminados, para todo o sempre, da face daquela ilha paradisíaca. Sayd e Sawyer - não afrouxem e judiem daquela bruaca, já!

quarta-feira, junho 13, 2007

Feminilidades

O texto é longo e veio numa dessas mensagens de spam. Não sei quem escreveu, mas é divertidíssimo e completamente verdadeiro - além de ser informativo. Porquê, sim, eu não sabia o que era uma "cavadinha", rsrsrs. Ainda bem que sou desprovida de pêlos!

Depilação
- FAZ ... VAI FICAR LINDA!!!!!!!!

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha.

Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim.

Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa.

Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.

- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.

- Vai depilar o quê?

- Virilha.

- Normal ou cavada?

Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.

- Cavada mesmo.

- Amanhã, às... Deixa eu ver...13h?

- Ok. Marcado.

Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.

Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.

Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue.

Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.

- Querida, pode deitar.

Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.

Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.

- Quer bem cavada?

- É... é, isso.

Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.

- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.

- Ah, sim, claro.

Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.

De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).

- Pode abrir as pernas.

- Assim?

- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.

Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar. Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca.

Não tive coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.

Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.

- Tudo ótimo. E você?

Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.

O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.

Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

- Quer que tire dos lábios?

- Não, eu quero só virilha, bigode não.

- Não, querida, os lábios dela aqui ó.

Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.

- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.

Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.

- Olha, tá ficando linda essa depilação.

- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à Terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.

- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?

- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.

Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

- Vamos ficar de lado agora?

- Hein?

- Deita de lado pra fazer a parte cavada.

Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.

- Segura sua bunda aqui?

- Hein?

- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.

Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:

- Tudo bem, Pê?

- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.

Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?

Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.

- Vira agora do outro lado.

Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.

- Penélope, empresta um chumaço de algodão?

Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais.

Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.

- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.

- Máquina de quê?!

- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.

- Dói?

- Dói nada.

- Tá, passa essa merda...

- Baixa a calcinha, por favor.

Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha. Como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.

- Prontinha. Posso passar um talco?

- Pode.

- Tá linda! Pode namorar muito agora.

Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada. Queria comprar o domínio www.preserveasvaginaspeludas.com.br

Filha da puta foi a mulher que inventou a "cavadinha".

Inferno astral

Será possível que justo agora, depois que passou o meu aniversário, é que as coisas decidiram desandar? Ou estaria eu fazendo tempestade em copo d'água?

Realmente, devo estar muito cansada.

terça-feira, junho 12, 2007

Liberdade

Tem épocas do ano que tenho vontade de sair reciclando tudo: o guarda-roupa, os livros e os planos.

Simples assim.

Mas, no fundo, no fundo, estou mesmo é cansada de mim: dos vários compromissos assumidos, da necessidade de aprender, da falta de tempo de fazer o que gosto, da vontade crescente de conhecer culturas de lugares novos e, afinal, viver coisas diferentes. Ou, simplesmente, assistir um filme qualquer, no meio da tarde, sem culpa. Pelo menos, só por hoje.

segunda-feira, junho 04, 2007

Humpf

Ai, eu e minhas invencionices.

Decidi fazer filosofia virtual, agora lascou-se. Estou aqui, às voltas com seis trabalhos, entre eles um de Lógica e outro de Neurociências que me custam entrar na cabeça.

E o tempo passando...

E o feriado chegando!!!

Ainda bem que essa semana é mais curta. E de presente, ganhei um dia só meu, pra fazer nada! :)

domingo, junho 03, 2007

Maturidade ou velhice?

Acho engraçado como as pessoas encaram o fato de completar mais um ano de vida. Para algumas, soprar mais uma velinha no bolo de aniversário é sinal de estar ficando velha. Daí que mudam as roupas e as atitudes diante de algumas situações. Perdem a espontaneidade e ditam regras para si mesmas. Frustram-se porque percebem que certos planos ainda não foram realizados, revoltam-se com as dificuldades impostas pelo corpo - que já não é tão ágil como antigamente - e, deprimidos, recusam-se a comemorar mais uma etapa da vida.

Outros, porém, agem exatamente de modo contrário. Forçam situações que já não são próprias para a idade. Vestem roupas pré-adolescentes e tomam resoluções sem medir consequências. São molecotes com barba branca e rugas aparentes, que mentem a idade e recusam-se a admitir que o tempo passa também para eles.

Nesta minha semana de aniversário, também faço uma reflexão sobre o fato de estar completando mais um ano de vida. E chego à conclusão de que a sabedoria que adquirimos ao longo do tempo é uma boa compensação para a falta de agilidade do corpo e impulsividade de outrora. Mas, ainda assim, não troco uma boa farra por nada neste mundo!!! Porque o equilíbrio é necessário, sempre!