sexta-feira, abril 27, 2007

Vou te contar, viu!

Quem disse que véspera de feriado foi feita para resolver pepinos, marcar reuniões, fazer fechamentos cabulosos, tomar decisões, mandar orçamento, atualizar cv, dar jeitinho, preparar almoço, apagar incêndios, responder e-mails urgentes, definir a semana seguinte...

E ainda por cima chove e esfria!

Decididamente, mais coisa de pobre é impossível!

terça-feira, abril 24, 2007

Que enrolação!!!

Tem meses que tudo parece caminhar rumo ao caos. Clientes meus atrasaram o envio da pauta, possíveis fontes não me respondem, assessorias não me dão retorno, e-mails demoram a chegar... e até a entrega de um armário é comprometida, sabe-se lá porquê razão.

A conclusão disso tudo é que até eu, que tento ser pontual, acabo me atrapalhando com meus prazos. E quem não tem nada a ver com essa bagunça instaurada, vai saber se de maneira generalizada ou apenas nas nuvens que me rodeiam a cabeça, acaba sofrendo as consequências.

Alguém aí conhece alguma simpatia para fazer tudo entrar nos eixos? Ou, quem sabe, uma oração para desatar nós?

segunda-feira, abril 23, 2007

Decifra-me ou devoro-te

Quem foi a anta que disse que chocolate combina com liquidozinhos azuis, vermelhos, amarelos ou de qualquer outra cor?

Tirando o doce de leite, qualquer outra substância NÃO tem nada a ver com chocolate.

E quem gosta que faça a mistureba em separado!!!

E tenho dito!

sexta-feira, abril 20, 2007

Vida em São Paulo

Quando vc pensa que já viu de tudo, acontece alguma coisa para te surpreender.

Eis que estou parada no congestionamento quando, não mais do que de repente, olho para o carro ao lado - um Pálio azul. Para a minha completa estupefação, o motorista estava, simplesmente, escovando os dentes.

Precisei olhar fixamente para aquela cena enquanto o farol permaneceu fechado. Porque eu queria ter absoluta certeza de que se tratava mesmo de uma escova e uma boca repleta de espuma... e não uma ilusão de ótica.

Mas, era aquilo mesmo. O cara estava, de fato, escovando os dentes. Com pasta e tudo. E cospia. Por sorte, não do lado de fora da rua. Mas em alguma coisa escondida no chão do carro, ao lado do banco do passageiro. Talvez um balde, talvez um copo... Vai saber.

Puxando pela memória, me lembrei que ontem vi um menino utilizando fio-dental no meio da rua. Mas ele andava - pacientemente, a caminho da escola.

Daí que foi impossível não associar tudo isso a uma charge que vi, não sei se do Millor ou se de um dos Caruso, que mostravam um congestionamento tão grande na cidade que os carros já não se moviam. E as pessoas foram obrigadas a se acostumar a viver naquele meio do caminho, simplesmente porque não conseguiam retornar para seus lares.

Vendo essas duas cenas, constatei que, se a história da ilustração se concretizar, as pessoas já estarão preparadas. Pelo menos para garantir sua higiene bucal.

Agora, me responde uma coisa: que mundo é este em que já não é permitido ter a tranquilidade necessária para as coisas básicas da vida?

quinta-feira, abril 19, 2007

Lobão

De fato, Lobão conseguiu provar o que vem dizendo há anos: sua música pode, sim, tocar no rádio... Aliás, como ele mesmo diz, qualquer música pode tocar nas rádios. Desde que se pague jabá.

Hoje, ele prova isso por A + B. Por anos ele ficou à margem, berrando ensandecido seu ódio à sociedade consumista e hipócrita. Mas se cansou e decidiu entrar na onda dos acústicos.

Não o condeno. Ele, afinal, é um ótimo músico, inteligente e merece ganhar por isso. E se a sociedade só aceita neo-cabeludos-arrumadinhos-bancando-o-bom-moço, então vamos lá. Porque o leitinho das crianças deve ser garantido e, afinal, ele tem talento e não está fazendo nada de mal.

Mas, honestamente, Lobão: os arranjos das novas músicas podem ser perfeitos. A harmonia delicada e envolvente. A riqueza das letras é inquestionável e, convenhamos, ainda bem que decidiram divulgá-las para todos ouvirem. Mas ainda assim não gosto do que estou ouvindo. O Lobão de que gosto é, sim, o verborrágico garoto revoltado. Mas permaneço fiel à lindíssima "Por tudo o que for". Belos tempos aqueles.

E depois,
A luz se apagou
E eu não consigo mais ficar sozinho aqui
Sem você é tão ruim, não tem sentido, prazer
Não há nada
Por favor,
Não me interpreta mal
Eu não queria nem devia te magoar
O vento vem, o tempo vai
Passa por mim meio assim, meio assim devagar
Vou dormir sentindo
O que a solidão pode fazer
A um ser ferido, por saber que o erro era meu
Só meu!
Já passou,
Agora já passou
Mas foi tão triste que eu não quero nem lembrar
Ver você
Ter você
E querer mais de nós dois não tem nada demais
E pensar
Você aparecer
Pela janela tão bonita de manhã
Vem pra mim e não vai mais
Me abraça, me abraça, me abraça por tudo que for

segunda-feira, abril 16, 2007

Olhos cheios d'água

Apesar dos meus trinta, continuo com a cara de moleca de sempre. No entanto, desde sempre aprendi a vestir uma máscara de mulher séria para esconder a minha timidez - a mesma que me fez escolher jornalismo para tentar combater o meu medo de olhar para o desconhecido e caminhar sozinha pelas ruas.

No entanto, sempre fui muito mal compreendida por conta desta máscara. As pessoas que me conhecem pouco, acham-me carrancuda... Séria... Metida... Para piorar, por anos levo a fama de briguenta, simplesmente porque digo mesmo o que penso e falo na mesma altura que o interlocutor, seja ele meu superior ou não.

Claro, não nego certa aptidão para a discussão. Afinal, se não gostei de alguma coisa, já falo logo. E, como delicadeza não é bem o meu forte... natural haver briga porque, afinal, ninguém é obrigado a ouvir meus rompantes e ficar quieto, por mais razão que eu tenha (ou não).

Mas, apesar de tudo, continuo a mesma moleca de antes. E a mesma manteiga derretida. Choro por tudo. Pela novela, pela poesia, pela música que me toca a alma. Chorei no sábado, quando vi uma reportagem que mostrou vários bebês num orfanato. E chorei copiosamente por vários dias quando soube que meu pai matou meu pinheirinho. Até hoje choro quando lembro que, há exatamente um ano, fui eu que tive de levar a minha cachorra para a injeção fatal a fim de acabar-lhe o sofrimento de não poder mais se mexer por causa da dor. Fico chocada quando vejo animais atropelados na rua. E ontem chorei ao ver dois cães lindos bem alimentados, mas abandonados numa casa solitária porque os donos precisam que eles cuidem de seu patrimônio.

Triste o mundo em que as pessoas preferem sacrificar a saúde de seres vivos em defesa de seus bens materiais ou interesses particulares.

Decididamente, a cada dia que passa, penso seriamente em me tornar uma eremita.

"Eu temo pela minha espécie quando penso que Deus é justo." (Thomas Jefferson)

domingo, abril 15, 2007

Para começar bem a semana

Recebi um textinho que gostaria de compartilhar com vcs... Vamos dizer que é uma transmissão de energia positiva para que comecemos bem a semana:

"Jogue fora números não essenciais.
Isto inclui idade, peso e altura.
Deixe que o doutor se preocupe com eles.
Mantenha somente amigos alegres...os emburrados colocam vc pra baixo.
Continue aprendendo!
Aprenda mais sobre o computador, jardinagem, cozinha, o que seja.
Nunca deixe seu cérebro inativo.
Uma mente inútil é a fábrica do diabo...
O nome do diabo é Alzheimer.
Aprecie as coisas simples.
Ria frequentemente, comprido e alto.
Ria até lhe faltar o ar.
Ande pelas ruas...vá a outra cidade...tem tanto lugar lindo por aí.
Não esconda sentimentos.
Diga às pessoas, várias vezes, que você gosta delas.
Faz um bem...
E o mais importante:
A vida não é medida pelo número de vezes que respiramos, mas pelos momentos que nos tiram a respiração."

sexta-feira, abril 13, 2007

Quanta bobagem!

Engraçado ver a reação das pessoas quando falo de Yansan ou Ogum. Sem entrar no mérito religioso da questão... Mas o que levam as mesmas pessoas que adoram mitologia grega ou celta, torcerem o nariz para a mitologia africana?

Zeus, por acaso, não é um deus? Ou Hera, ou Afrodite, ou Tupã? O culto à grande Deusa também não se trata de um ritual pagão? Por quê raios todo mundo me olha com incredulidade quando falo que tenho curiosidade em saber mais sobre os deuses africanos? Ou arregalam os olhos assustados quando sugiro assistirem a um vídeo que trata de Iansã?

Seria porque a presença da umbanda e do candomblé em nossa cultura e toda a "magia" envolvida nos rituais a causa de tamanho assombro para quem se diz cristão? Ou é apenas um desconhecimento que gera desconforto? Ou, pior do que isso, seria isso um reflexo do preconceito racial hipócrita que assola nossa sociedade?

quinta-feira, abril 12, 2007

Yansan

Esse é o nome do curta premiadíssimo de Carlos Eduardo Nogueira. São 18 minutos de anime de pura qualidade, com toda a poesia maravilhosa do mito africano narrada pelo ator Milton Gonçalves. Aqui, a história de amor entre a orixá Yansan e o poderoso Ogum e o sedutor Xangô ganham ares futurísticos, típicos de um Akira Kuroshawa. Não é apenas lindo. O filme é também instrutivo, uma vez que a cultura afro, embora presente em nossa raiz brasileira, ainda é delegada a último plano por puro preconceito.

O curta não está disponível no youtube. Por isso, deixo o link do Porta Curtas http://www.portacurtas.com.br/index.asp - o que permitirá ao leitor encontrar outras preciosidades, como o próprio Ilha das Flores, de Jorge Furtado, que me inspirou a ser jornalista. Divirtam-se!

quarta-feira, abril 11, 2007

Flora Gil na TPM deste mês

Um trechinho, só para deixar com água na boca:

"Flora podia estar deitada numa rede embaixo do abacateiro, mas entrou no expresso 2222. Colheu os frutos que o sobrenome lhe rendeu e se transformou na grande mulher por trás do grande homem. Aos 18 anos, a paulistana pegou carona com Gil, em Salvador, e desviou sua rota. Encantada com o músico-baiano-preto-ex-exilado, na época com 38, tirou o sono dos pais, os comerciantes Janira Luiza e Domingos Giordano – morto de câncer há 15 anos. A os 19, trocou Moema, bairro nobre de São Paulo, pela vida a dois no sítio em Jacarepaguá, no Rio. Ciumenta e insegura, foi uma namorada indesejada: peitou três ex-mulheres, cinco filhos e a rejeição de amigos. Hoje, aos 47, reúne todos na mesma mesa: “Desisti de ser chata. Chata é foda”. Ela aprendeu a ser política e usa a arma para evitar desafetos e manter a união que já dura 27 anos. "

Para mim, essa frase em negrito resume em uma única linha tudo o que eu disse nestes dias em 10 mil posts!

Mas, o máximo da entrevista está na resposta singela à uma pergunta feita logo no início da matéria:

"Pergunta: Já passou por alguma crise existencial?
Resposta: Essa coisa de ficar “meu eu interior”, não tenho paciência. Fiquei muito baiana depois dos 40."

NÃO É O MÁXIMO??????????

Viva a síntese de idéias. E abaixo aos chatos de plantão!

terça-feira, abril 10, 2007

De perto ninguém é normal

ok. ok. A intimidade, às vezes, é um complicador. Um defeitinho que poderia ser um charme vira um tormento na loucura do dia-a-dia.

Eu, por exemplo, sou capaz de encher um caderno inteirinho com minhas esquisitices - que, aliás, vêm do berço. Surto quando vejo roupa espalhada pela casa, odeio quando a cozinha fica suja e não posso com um chinelo virado. No entanto sou capaz de deixar a cama bagunçada por semanas, a cortina fechada por dias e as janelas do quarto escancaradas até em dia de chuva - porque, claro, sempre me esqueço de fechá-las antes da intempérie. Qualquer ventinho me deixa com frio e a fome é capaz de me deixar em estado de alerta vermelho, pronta para explodir.

E por aí vai.

Mas, cá entre nós, há pessoas que têm o dom de ser muito mais insuportáveis em seus "defeitinhos" que outras.

Por exemplo: pontualidade em excesso é um saco e não tem nada a ver com educação. Moramos em São Paulo, numa cidade em que não apenas as distâncias são abusivas como o trânsito não combina com relógio. Mas, convenhamos, exigir pontualidade para ir à balada é o fim da picada. Afinal, saímos de casa para esquecer a vida, não para bater cartão.

Outra coisa irritante é a intolerância. Conheço pessoas que simplesmente não aceitam que outras tenham atitudes ou pensamentos diferentes dos seus. E aí ficam martelando na mesma tecla de que acha "um desaforo" fazer isso ou aquilo até que, claro, desencadeiam a Terceira Guerra Nuclear. Porque, para essas pessoas, não basta darem sua opinião. E de nada adianta ouvirem o "outro lado". Eles são os donos da verdade inabalável e, enquanto não convencem o mundo de sua trancendência, não sossegam.

Revanchismo é outra coisa que não suporto. Acostumadas a levar a sério qualquer pequena frase que se comenta, pessoas com este defeito acreditam que o mundo inteiro participa de um complô contra a sua própria felicidade. Por conta disso, tecem verdadeiras tramas que visam a derrota alheia. Um pequeno tropeço é visto com euforia. Uma pequena vitória é vista com desprezo. Para essas, é impossível entender que a vida trata de ensinar e recompensar cada um, ao seu tempo - não é preciso, portanto, gastar energia com bobagens.

É por essas e outras que, a cada dia, está cada vez mais difícil de me relacionar com as pessoas.

OBS.: fiquei sabendo de um livro cujo título é pra lá de interessante: "Why Zebras Don’t Get Ulcers", do professor de neurociências da Universidade Stanford, na Califórnia, Robert Sapolsky. A resposta à pergunta do título é a seguinte: zebras não têm úlceras porque não se estressam. "As zebras só se estressam quando enxergam um leão na savana. Então, usam todas as forças e possibilidades de seu organismo para fugir do predador. Passado o perigo, cessa o estresse", ele explica. O problema dos humanos, portanto, é reproduzir a situação mesmo na ausência do leão. É por essas e outras que, de uns tempos pra cá, luto por mais leveza em minha vida. E abro mão mais facilmente das pessoas que me causam estresse.

segunda-feira, abril 09, 2007

Imprevistos

Um dia me vi refletindo sobre a vida depois de assistir a uma entrevista com a Luana Piovani (a quem admiro pela inteligência, sinceridade e beleza). Ela dizia detestar imprevistos e confessou ficar mal-humorada cada vez que alguém mudava a programação do dia no meio do caminho. Para ela, não havia o menor cabimento se preparar para passar o dia na praia e, de um momento para o outro, algum amigo propor fazer uma esticadinha num barzinho, por mais descompromissado que lhe parecesse.

Naquele momento, minha admiração por ela, e mesmo o meu jeito de me exergar, passou por uma espécie de provação. Que coisa mais chata isso de querer controlar cada pequeno momento da vida. Esse negócio de ter hora para chegar, hora para sair, hora para ir à praia e hora para falar de cultura... E se, até aquele momento, eu pensava como ela e acreditava que para tudo era necessário "preparar o espírito", depois de ouvi-la resolvi mudar meus conceitos.

Recordei uma cena que aconteceu comigo há uns 10 anos: depois de uma semana estafante, encontrei amigos com os quais não saia sempre. E, no meio do bate-papo, alguém sugeriu fazer um bate-volta à praia. Coisa mais sem pé nem cabeça curtir uma balada de madruganda, na beira de um quiosque, sem ter programado nada, sem nenhum "puto" no bolso, só para fechar o dia com chave de ouro. Poderia ter me recusado, afinal, naquele dia, eu apenas pretendia ter ido ao cinema e voltado cedo pra casa porque na manhã seguinte teria algum compromisso. No entanto, o meu "ok" me proporcionou uma noite especial, com muitas risadas e muita conversa solta e descompromissada. Claro que acordei podre e sem o menor pique para estudar no outro dia, mas valeu a pena ter saído da rotina.

Esses dias nos deparamos com uma "luana piovani" de quinta categoria. Foi revoltante perceber que a pessoa se irritou porque sua "programação" foi mudada de uma hora para outra, mas, apesar disso, não teve coragem de dizer "não estou a fim porque tinha outros planos". E o constrangimento foi enorme ao descobrir, depois de verificar o bico quilométrico, as frases monossilábicas e o humor de cão durante o restante da noite, que o motivo da situação foi causado por nossa vontade de passar bons momentos juntos.

Voltei a admirar Luana Piovani: ela, pelo menos, teria a decência de dizer que não estava a fim. E, mesmo passando por chata, não correria o risco de estragar a noite alheia. Isso sim é maturidade.

terça-feira, abril 03, 2007

Senhor tempo

Hoje, o que eu queria mesmo era um caderninho repleto de dicas de speeches para a minha aula de inglês. Que tortura ficar procurando um assunto diferente a cada semana para falar pra turma! Justo eu, a pessoa mais sem assunto do mundo!

A alternativa que encontrei para isso foi revirar as matérias antigas que fiz e procurar algum assunto que não seja "boring", nem "obvious".

Pois bem. Esse trabalho de revirar textos antigos acabou me surpreendendo um bocado. Afinal, não é todo dia que constato que aquela reportagem bacana que fiz sobre o projeto Cairuçu já tem 7 anos! Ou que aquela outra que fiz sobre Piratas já tem 3!

E pra mim, todas não passavam de algo tão distante quanto o ano passado.

Como este tempo é implacável!