terça-feira, fevereiro 27, 2007

Luz no fim do túnel

Sou mesmo uma pessoa abençoada.

A começar que encontrei o grande amor da minha vida e, mesmo quando o caldo parecia entornar, alguma coisa aconteceu que fez com que ficássemos juntos. Talvez porque aceitamos dar uma segunda chance aos acontecimentos. Ou simplesmente porque não insistimos em remar contra a maré. Fechamos o ouvido para as críticas sociais e familiares. E pronto. Sete anos depois, casamos!

Também faço o que gosto. E mesmo quando estou desanimadinha por causa do excesso de trabalho ou por causa da falta de retorno financeiro, recebo benesses como delicados puxões de orelha do além. Um entrevistado muito bacana, um livro revelador, contatos encantadores - qualquer coisa deste tipo chega até mim como um sopro de ar para um corpo debilitado. E, em segundos, esqueço as mazelas e descubro que não poderia ter escolhido melhor profissão para a minha vida.

Sem contar os empurrões amigos que recebo aqui e acolá e que me permitem realizar pequenos grandes sonhos de consumo, como pagar com meu trabalho o tal curso de inglês que vive negligenciado.

Como se não bastasse, agora cai em minhas mãos a possibilidade de participar de um projeto que tenta mostrar alguma luz no fim do túnel.

Olha esse trecho da entrevista com Alexandre Caldini, diretor superintendente das revistas Exame, Você SA e Info, que saiu no portal http://www.thenewlife.com.br de que agora faço parte.

1. Seriedade não requer sisudez
2. Humildade nada tem a ver com fraqueza
3. Arrojo é a antítese de arrogância
4. Competência não pressupõe competição
5. Evolução não deve ser confundida com volubilidade


Diz se não é poesia para uma alma já farta de tanta notícia ruim?

Será que estamos, enfim, chegando perto de uma revolução dos conceitos? Onde a competição vai dar lugar para a colaboração, e a prisão em torno do sucesso financeiro vai dar lugar à satisfação pessoal?

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Bloco do Barbosa

Uan Tchu Tri For

Ôo Barbosa
Essa curva é perigosa
Entre sempre nesta linha
Ou vou contar pra tia Rosa (2X)

Ôo Barrrbosa!
Mas que dor no coração...
Ôo Barrrbosa!
Mete o pé neste bundão

Uan Tchu Tri For

As únicas lembranças que eu tinha do Carnaval eram tentativas frustradas de me divertir em clubes. Achei todas elas um porre. Embora me gabasse de dizer que simplesmente pulava a data e fingia que ela não existia, contentando-me apenas com o deleite dos bons e bem-vindos dias de descanso do feriado, sempre ficou no peito a vontade de ver de perto a alegria que praticamente todo o Brasil faz questão de anunciar ao mundo.

Tanto é verdade que morro de vontade de conhecer de perto a bateria de uma escola de samba (sabe, a negona que há em mim adora um batuque) e me esbaldar nas ruas de Recife e Salvador, nem que seja para dizer que odiei. Mas experimentei.

Este ano cedi à tentação e fui para São Luiz do Paraitinga (cidadezinha linda, perto de Taubaté e Ubatuba), ver de perto o carnaval de marchinhas de origem local e de bonecões de papel-machê.

Meu, o que foi aquilo???

Apesar das 120 mil pessoas se acotovelando nas ruas estreitas, do cheiro de suor, xixi e cerveja, da falta de estrutura do camping em que ficamos (mal) hospedados, da falta de água e bebida (que não fosse álcool)... Foi o máximo!!!

O clima estava delicioso, as músicas eram engraçadíssimas, as fantasias eram pra lá de criativas e a animação garantiu um dos melhores feriados que já tive na vida.

Com certeza, devo voltar no ano que vem para os festejos. Mas, até lá, tenho de estar em forma para pular muito mais que apenas dois ou três blocos. E, claro, sair DE NOVO com a turma do Pé na Cova. E não perder por nada do mundo o bloco do Barbosa, um dos mais marcantes.


sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Brincar de Pollyanna?

Ah, sim. A indignação permanece, mas ficar aqui, no conforto do meu home-office, tocando a vida e só me pronunciando neste blog ou nas poucas conversas que mantenho no meu dia-a-dia, decididamente, não vai mudar a realidade ao meu redor. Muito menos retransmitir a todos os vários e-mails que recebi com a vinheta que está rolando pela internet e pelas rádios perguntando se "nós não vamos fazer nada" a respeito da violência que matou João Hélio.

Fazer o quê, cara-pálida? Ir pra rua, vestindo branco, acendendo vela? Fazer greve de fome? Ficar de mal do governo? Exigir a maioridade penal (que é uma lástima, convenhamos!)? Decretar a pena de morte?

E vcs, publicitários que inventaram a tal vinheta? Estão fazendo o quê? Por acaso se recusam a divulgar as maravilhas de um produto que, para ser manufaturado precisou degradar a Amazônia ou utilizar mão-de-obra infantil? Vocês, por acaso, deixam de utilizar apelos que vão mexer com a cabeça de nossas crianças, transformando-as em futuros consumistas desenfreados? Por acaso vcs deixam de trabalhar na campanha de um político corrupto, mesmo ele pagando milhões por seu trabalho? E, digam a verdade, será que parte da grana que recebem é revertida para projetos sociais sérios? Hein, hein, hein?

Como tenho certeza de que a resposta será uma tremenda cara de ué para a maioria das perguntas, deixo registrada outra frase que tenho dito com frequência: então poupe os meus ouvidos de tamanha besteira!

Qualquer "cidadão" que ajuda o sistema a permanecer nesta selvageria, sem levar em conta o desenvolvimento sustentável, o consumo responsável, a ética nas relações e o respeito ao próximo tem tanta culpa no cartório quanto os políticos que aprovam medidas escatológicas e prejudiciais à população, os criminosos de colarinho branco ou os bandidos que matam à sangue frio.

Mas, pensando que estamos à véspera de um feriado, que tal mudar um pouco o disco das reclamações? Recebi este texto agora à pouco e, pensando que estamos mesmo precisando de uma injeção de ânimo depois de tempos assustadores, me animei a reproduzir aqui. Vamos brincar de pollyanna? Quem sabe, ao menos assim, conseguimos, se não transformar o mundo, pelo menos parte dele.

" Prometa a si mesmo "

Ser forte de maneira que nada possa perturbar a sua paz de espírito.

Falar de saúde, felicidade e prosperidade a toda pessoa que encontrar.

Fazer os amigos sentirem que há alguma coisa de superior dentro deles.

Olhar para o lado glorioso de todas as coisas e fazer com que o otimismo se torne uma realidade.

Pensar sempre no melhor, trabalhar sempre pelo melhor e esperar somente o melhor.

Esquecer os erros passados e preparar-se para melhores realizações no futuro.

Ter tanto entusiasmo e interesse pelo sucesso alheio como pelo próprio.

Dedicar tanto tempo ao próprio aperfeiçoamento que não lhe sobre tempo para criticar os outros.

Fazer um bom juízo de si mesmo e proclamar este fato ao mundo, não em altas vozes, mas em grandes feitos.

Viver na certeza de que o mundo estará a seu lado, enquanto lhe dedicar o que há de melhor em si mesmo."

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Permaneço em silêncio

Fiquei alguns dias sem postar porque a indignação só cresce aqui dentro. Sim, fiquei chocada com o caso do menino que, preso ao cinto de segurança, foi arrastado pelos assaltantes até morrer despedaçado. Continuo estarrecida com o pouco caso dos governantes para o caso da cratera do metrô. Inconformada com o caos da aviação brasileira. Indignada com a falta de infra-estrutura das ruas e do transporte público do Estado mais rico da nação. E, como se não bastasse, fui informada de que as microempresas abertas pelo Simples terão, por decisão do presidente, de aumentar o imposto de 5 para 8%. E a P. do governador de São Paulo, aproveitando o ensejo, aumentou esses 8 para 15%.

O que não é nada engraçado, visto que, apesar dos preços estarem subindo de maneira exorbitante, até agora, não tive nenhum reajuste nos pagamentos que recebo. Muito pelo contrário. Todo mundo quer um produto de qualidade, com conteúdo inteligente e, claro, dentro do prazo. Mas na hora de pagar ou de valorizar o profissional, só churumelas.

(Suspiro, olho pra janela, vejo um carro passar, o passarinho voar, penso que apesar de tudo a vida é bonita, mas...)

Tudo isso me dá tanta canseira...

E uma vontade de pegar as malas e sumir. Sem eira, nem beira. Apenas assim: puft!

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

P. de Brasil!

Hoje, uma situação me fez recordar um episódio que assisti recentemente do Everwood (que acabou prematuramente, na minha opinião). Era um em que o Dr. Brown dá o diagnóstico a um padre que sofre de uma doença degenerativa que o deixará cego. Deixando dramas de lado, o médico diz, entre outras coisas, que Deus não pode ser responsável por nossas doenças. Elas, simplesmente, fazem parte do viver. O que o Todo Poderoso pode fazer é dar-nos forças para enfrentarmos os obstáculos que encontramos pelo caminho.

Hoje, ao sair da academia, vi um garoto, de mais ou menos 26 anos, bonito, mas coxo. Ele simplesmente não conseguia levantar as duas pernas e, embora não precisasse de muletas, ele as arrastava para andar. Foi de cortar o coração ver ele todo arrumado, sem condições de pular as poças de água que se formavam no chão. Mas ele fechou os olhos e continuou caminhando, como se estivesse alheio às calças, limpas, que acabavam de ficar encharcadas e sujas de lama.

Corajoso aquele menino.

Mas... por outro lado: que país de merda que a gente vive, hein?

Como pode o Estado mais rico da nação não oferecer condições dignas para o coxo, o paralítico, o cego, o surdo, o especial, o idoso? Não basta ser excluído do mercado de trabalho, da escola, dos estabelecimentos comerciais...Também é preciso ser eliminado das vias públicas, que vivem esburacadas, sujas, destruídas... Isso quando elas existem - porque aqui, na perifeira onde eu moro, calçada, quando existe, é estacionamento pra carro.

Triste o país que trata com desdém as suas minorias.

Que Deus tenha piedade destas criaturas!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Livro do mês: O livreiro de Cabul

A obra da jornalista norueguesa Asne Seirestad é boa. Mas poderia ser melhor.
Não sei dizer ao certo o que me fez torcer o nariz. Não sei se o discurso narrativo, ou se a tentativa da autora em se manter distante dos acontecimentos. Mas é um livro sem alma. Uma excelente reportagem, sem dúvida. Mas completamente sem coração.

Ela se utiliza da vida particular de um livreiro conceituado e pertencente à classe formadora de opinião do Afeganistão para mostrar ao leitor aspectos da história e da cultura local. Até aí, tudo ótimo. E tudo muito parecido com o que a chinesa Xinran faz em seu As boas mulheres da China. Mas, ao contrário da chinesa, que se envolvia com as histórias, a norueguesa preferiu se manter numa distância segura - uma atitude lamentável para esta que vos escreve, tão mais emocional, passional e, portanto, latina, que a fria européia. Talvez tenha sido essa sensação de semelhança - que me soou oportunista - a responsável pela minha desconfiança.

Enfim, é uma boa leitura. Mostra-nos a crueldade da ditadura talibã, que limitou pensamentos e ações, extirpou a feminilidade e a independência da mulher e espalhou o terror pelo mundo. Também deixa claro que foram os russos e os norte-americanos que, na busca desenfreada pelo poder, apoiaram tribos inimigas e colaboraram para que o mal se alastrasse a partir da região para todo o planeta.

Em tempo: hoje, dia 5 de fevereiro, o programa Roda Viva entrevista a autora deste best seller, às 22h40. Vale a pena conferir!

domingo, fevereiro 04, 2007

Para anotar na agenda

* El Guatón
Barzinho show de bola, localizado na Artur de Azevedo, 906. Com um ar nada sofisticado de casa antiga, o atendimento do lugar, convenhamos, não é lá grandes coisas. A garçonete é mal-humorada e o garçon, atrapalhado. Mas é perfeito para o bate-papo entre os amigos do peito enquanto se degusta as iguarias chilenas. A dica é pras empanadas e pro Pastel de Choclo - um escondidinho de palmito, frango, carne moída e azeitonas feito de milho (assado e servido numa cumbuca de barro, serve bem até duas pessoas).

* O site http://concerts.wolfgangsvault.com/ . Depois de se cadastrar, é possível ouvir shows das mais diferentes bandas, de Aerosmith a Chuck Berry. De Genesis a Pink Floyd e Black Sabbath. De grátis! Enjoy yourself!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Será que sou normal?

Será que sou a única a entrar no próprio blog para ver se há algum post novo no ar?