terça-feira, novembro 28, 2006

November Rain

Da minha janela eu vejo o mundo - o meu mundo. Repleto de árvores, pássaros e uma ou outra pessoa que caminha pela rua completamente indiferente à tempestade que cai, a não ser pelo guarda-chuva aberto.

De um lado do céu, vejo as nuvens negras. Do outro, o céu límpido, sem o menor vestígio de umidade.

E por ínfimos cinco minutos, é como se o mundo inteiro coubesse no quadro da minha janela.

A felicidade mora nas pequenas coisas.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Tudo junto numa coisa só

Tenho o privilégio de ter amigos muito diferentes um dos outros. Isso me ensinou a diversificar, a não ter preconceitos, a entender diferentes pontos de vista. Mas, alguns papos acabam sendo eliminados das conversas. Para uns, política é tema proibido no barzinho. Para outros, música é sempre motivo de discussão acirrada: afinal, um roqueiro tem mil motivos para odiar forró e frevo. Outros ainda não aceitam meus argumentos universalistas unitários, pois religião é tabu e não pode ser questionada nunca...

Sem entrar na neura de querer mudá-los, aprendi a gostar deles do jeitinho que são. Em troca, cada um deles contribuiu muito à minha formação. Eles sempre me acrescentam. Me deixam antenada sobre diferentes assuntos. Me obrigam a refletir, a rever meus conceitos. A questionar, sempre. E me ensinaram a curtir cada situação como sendo única. Porque entendi que não é o lugar que importa. Mas as pessoas que estão comigo.

Apesar de tanto aprendizado, em alguns momentos sentia-me como um peixe fora d'água.
Sentia falta de compartilhar minhas descobertas no mundo das artes, minhas opiniões políticas, minhas teorias cabeludas. Sem correr o risco de ser massacrada intelecualmente, entrar num debate maçante, numa guerra de braço para mostrar quem é o dono da razão. Até porque, nunca foi minha intenção ser dona da razão. Donas das razão são muito chatas!

E eis que, de um tempo pra cá, consegui, ao que parece, encontrar uma nova turma, formada por pessoas dispostas a fazer programa de índio só pra conhecer coisas novas. Que curtem tênis vermelhos e sandálias rasteirinhas, kkkk. Que comem comida com a mão, sem se importar com a mesa do lado. Que estão fundando um partido político alternativo. Que ouvem Oswaldo Montenegro em churrasco. Mas que também adoram quando alguém aparece com o CD da Madonna ou do Rebeldes. Porquê, simplesmente, não há tempo feio que justifique a falta de uma boa gargalhada.

Os problemas pessoais são ditos da seguinte forma: estou fodida, tomo antidepressivo, me pagam mal, me repreendem por sentar à mesa, querem me obrigar a ensinar o ponto de vista elitista a meus alunos, a educação do país está uma merda, tô cheia de contas, acabei de me separar, tomei outro fora... mas quando é o próximo show do Cordel mesmo? Amanhã vou andar de trancinhas rastafari. Vou pedir demissão deste emprego que me faz infeliz e quero mais uma batida de maracujá. E pintar as unhas de lilás. E fazer tatuagem de henna de um dragão gigantesco nas costas. E discutir o pensamento niilista de Nietzsche. E dizer que ainda tenho esperança de que o país vai melhorar. E nem ligar de sair com casal de amigos. E batucar na mesa sem pensar que se está no ritmo. Jogar Imagem&Ação até horas da noite e se esquecer que tem filha dormindo do lado de lá da sala. E trazer pensamentos de outros Estados - sem essa pagação de pau que paulistano tem de si próprio. E sonhar acordada.

Eita que isso tá ficando muito mais legal do que eu imaginava.

quarta-feira, novembro 22, 2006

Falta seriedade

Este país não pode ser sério.

Você sabia que se uma outra pessoa estiver dirigindo o seu carro, mesmo com carteira de habilitação, documentação, condições de saúde e você, proprietário do veículo, ao lado, também com carteira ok, o seu carro pode ser apreendido?

Ou que se apreenderem seu veículo por estar com ipva atrasado, mesmo pagando a taxa na hora, você terá de esperar quatro dias para a liberação do seu bem? E ainda correr o risco de pagar mais de cem reais para o guincho que irá transferi-lo para outro espaço?

Pois bem. Li o Código Nacional de Trânsito e não vi nenhuma penalidade semelhante referente a estes dois episódios. Mas os guardas não querem saber de explicar. Aliás, o ministro Sepúlveda Pertence até sancionou uma medida revogando a lei que autorizava a apreensão e "armazenamento" do veículo, do segundo caso, por julgá-la inconstitucional. Pelo menos foi isso o que eu entendi com o que eu achei pela internet. Mas, os "guardinhas" de trânsito não sabem disso. Ou melhor, alguns não querem saber.

Aí, ouço no rádio que já foi aprovado o pedágio nas marginais e no rodoanel - o governo decidiu sem nem sequer comunicar à prefeitura.

(Ué... governo e prefeitura não são do mesmo partido e tals? Do mesmo Estado!!!)

Aí, num momento de sinistra reflexão, me lembrei da reportagem da revista da Folha desta semana: uma matéria sobre como vencer no mundo corporativo. Entre as dicas para você chegar a CEO de uma empresa: vestir-se como um - ternos Armani e Ricardo Almeida, relógios de 14 mil reais, sapatos Emernegildo Zegna que custam 2.700 reais o par, relógios Bulgari de 10 mil reais.

Uma colega falava: mesmo fodido, vista-se como um rei e todos te tratarão como um.

Enquanto isso, vejo crianças fazendo malabares nas ruas e recolhendo lixo para ganhar um troco, deficientes tentando ganhar a vida nos semáforos enquanto tentam equilibrar suas cadeiras nas calçadas esburacadas, gente passando fome, nego cortando a trânsito, parando em fila dupla, enconstando sem dar seta.

Você ainda acha que nenhum dos fatos mencionados aqui estão relacionados?

Depois disso tudo você ainda pensa que a podridão que está no congresso não tem nada a ver com vc?

Decididamente, falta seriedade a este país.

sábado, novembro 18, 2006

O infinito é tão longe...


Quando ouvi pela primeira vez algumas músicas do Cordel do Fogo Encantado, graças ao e-mule, confesso que torci o nariz. Aquela profusão de sons, batuques e cantorias não me animou muito. Ouvindo-as no computador, tudo parecia um ruído ininteligível. Pessoas berrando, músicas faladas, percussão exagerada. Que raios era aquilo, eu me perguntava.


Vencido o preconceito, sobretudo depois de ouvir muita gente boa por aí dizendo que eles são imperdíveis, decidi assistir ao show. Cara, que raios foi aquilo???


Senti-me no maior show de rock de todos os tempos. Ok, eles tocam samba de coco, maracatu, reisado... MÚSICA BRA-SI-LEI-RA. Mas é como se, de repente, eu estivesse em plena Woodstock de 1969, vendo surgir um movimento contracultura sem parâmetros na história. Como se, depois de tudo aquilo que se descortinava à minha frente, eu jamais pudesse voltar a ser a mesma pessoa. Sábio Guimarães Rosa.


Cordel faz poesia de protesto. Fala do nordeste e do nordestino. Da cidade e da roça. Enfatiza os sotaques sem qualquer pudor. Reverbera nos ouvidos como metal - puro, na essência. Tem saudades do mar. Pede aos céus pela chuva. Apaixona-se pelo passarinho. Vive pela menina. Homenageia a morta. E, assim, tem o poder de levar a gente embora, para outro ambiente. E, não mais que de repente, tudo ao redor vira sertão.


E a negona dentro de mim, claro, vibrou. Porque os atabaques, bumbos e outros tantos tambores estavam, simplesmente, ensandecidos.


Mas também não dá para tirar o mérito da guitarra, perfeita. E Lirinha, cuja voz, é limpa e linda.


Mais uma vez senti-me perdendo um tempo considerável por não tê-los conhecido desde o início.


Antes tarde do que nunca.

OBS.: Ainda não consegui colocar vídeo aqui, mas para quem ficou interessado, acesse:

quinta-feira, novembro 16, 2006

Preconceito mais besta!!!

Por quê todo mundo acha que pessoas casadas mudam de vida? Ficam mais chatas, mais caretas, mais burocráticas, menos interessantes, mais burras, menos bonitas...

Passados cinco meses do meu casamento, já tive de ouvir uma série de impropérios. Todos inverdades cabeludas. E que me deixaram com vontade de berrar palavrões.

Seguem algumas bobagens

1. pessoas casadas não gostam de baladas.
Mentira. Continuamos ADORANDO baladas. Mas, se os dois autônomos que formam essa família sem chinelos já eram duros antes do casamento e antes do namoro, continuam duros agora. O que não quer dizer que ficamos os finais de semana mofando em casa. Botecos e barzinhos descolados, shows alternativos, cinemas, bate-papo em pizzarias e restaurantes BB continuam sendo a pedida para esses que vos falam. Isso quando a bagunça não rola no próprio apê.

2. pessoas casadas não saem com amigos.
Mentira. E azar de quem fez isso parecer verdade. Porque, embora eu saiba que muita gente casada por aí se enclausurou dentro da concha, eu e maridones continuamos firmes e fortes defensores da individualidade. Aproveito o dia em que ele sai pro judô pra visitar a amiga distante, a mãe saudosa, a irmã farrista. Ou receber visitas. Se ele quiser sair com os amigos pra tomar um chopp, eu saio com as minhas para tomar um sorvete. Se a frequência diminuiu não foi por causa da mudança de status, mas por pura falta de tempo. Aliás, tenho amiga que veio no meu casamento sem o marido, mesmo sem conhecer ninguém. Só pra prestigiar o meu dia e estar ao meu lado. Não é lindo?

3. pessoas casadas ficam gordas e feias.
Mentira. Eu até que engordei. Mas já iniciei a terceira fase do projeto Barbie que ficou estagnado com toda a correria do casório. Se as outras pessoas ficam acomodadas, azar o delas!

4. pessoas casadas só sabem falar de contas e problemas.
Mentira. Continuo Pollyanna, fazendo dos limões, limonada (sem açúcar, que é para acelerar o metabolismo e emagrecer, rsrsrs). O assunto do momento é política? Estamos dentro! Cinema, literatura, futebol, compraterapia, ioga, beleza, cabelo, música... vamos embora! Se eu estiver por fora, adorarei ouvir histórias!

5. pessoas casadas não gostam de qualquer big festa promovida por big empresas.
Mentira. A pessoa casada que vos fala não gosta de festas assim, ou de qualquer evento que precise ir de salto, roupa chique, maquiagem e balangandãs, desde sempre.

6. pessoas casadas não fazem mais nada interessante, a não ser bebês.
Mentira. Casar, definitivamente, não é se enterrar vivo. Um amigo casado foi acampar nas férias enquanto a esposa foi fazer um curso no exterior. Outra conseguiu começar um curso de mestrado enquanto criava a primeira filha. Uma outra iniciou um curso de cabala, outro de tai chi e outro ainda de astrologia enquanto o marido viajava a trabalho. Eu voltei para o curso de inglês e para a academia. Detalhe crucial: nenhum dos exemplos acima deixou de lado a profissão ou deixou de amar a pessoa que estava do seu lado.

Tenho consciência, claro, de que muitos casais por aí não pensam como eu, ou como os casais citados neste texto. Afinal, já faz parte do inconsciente coletivo de que casar é sinônimo de fim da farra e planos pessoais. Alguns exageram tanto que restringem a lista de amigos apenas aos casados. O que talvez justificaria a fama de enforcamento que o casamento levou ao longo dos anos.

Pode ser que esteja muito cedo para eu afirmar o contrário. Mas, não consigo entender como estar do lado da pessoa que a gente gosta faça com que mudemos de opinião e sentimentos com relação ao mundo ao nosso redor.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Tópicos

  • 75 mil toques
  • filosofia, negócios, política e história
  • Nô Stopa
  • projeto Barbie - a missão 3
  • inglês
  • speech
  • entrevistas
  • e dá-lhe espera
  • fechamento
  • transcrição
  • pensamento
  • almoço
  • cansaço
  • ansiedade
  • consultas
  • leituras
  • tudo-ao-mesmo-tempo-agora
  • uma só semana

Assim, em tópicos, para ser mais fácil de lembrar...

Será que sobrevivo até dia 21?!

terça-feira, novembro 07, 2006

Lady Dé

Tenho a felicidade de ter amigas pelas quais tenho a maior admiração e com as quais tenho aprendido muito. Cada uma delas merecia um post especial neste blog, mas hoje eu quero falar da Dé.

Eita mulher porreta essa. A gente ficou amiga meio que por acaso. Quis o destino colocar a gente na mesma escola e, por conta de um projeto entre estudantes, descobrimos que tínhamos os mesmos sonhos: ambas queriam ser jornalistas. Nossa amizade cresceu quando decidimos compartilhar nossos sonhos.

Mas do mesmo jeito que o tempo nos aproximou, ele nos separou. Cada uma seguiu seu rumo e perdemos definitivamente o contato uma com a outra. Até que surgiu o controvertido orkut. E nos reencontramos.

Foi praticamente amor à segunda vista, rsrsrs. A cada conversa, e-mail, telefonema, msn trocados, a sensação é de que deixamos o colegial ontem - e não há quase 17 anos. Só pra ter idéia do grau de afinidade que nos uniu desde então, a segunda vez que a vi depois deste reencontro foi na maternidade, quando ela deu à luz a sua primeira filha: a Mel do último post.

Quase dois anos se passaram desde então e não há um só dia que não nos falemos, pelo menos para desejar bom-dia à outra via msn. Ou trocar dicas de molhos para saladas e informações sobre como ganhar espaço no varal do apartamento. Também conversamos sobre o significado psicossomático das dores no joelho. Ou sobre o último debate dos presidenciáveis. Não importa. Papo não nos falta.

Neste meu trabalho solitário, ela se tornou a minha grande companheira, praticamente vizinha de tela: eu teclo deste lado, ela do lado de lá.

Pois bem, sexta-feira essa doida me ligou, fazendo-me um convite insólito: acompanhá-la no parto de sua segunda filha, a Lili. E nós, gordo-fofo e eu, que somos arroz de festa, fomos lá prestigiar o nascer de uma nova vida. Em praticamente primeira mão - depois do maridão dela, é claro.

Essa mulher, que já me causava admiração pelas tiradas humoradas, pelas teorias desmioladas (e algumas acertadas), pela inteligência sagaz e pela competência em dividir-se na complicada tarefa de ser esposa, mulher, mãe e profissional com uma tranquilidade de deixar qualquer uma descabelada, mostrou que, acima de tudo isso, é uma lady.

Meia hora antes do parto, estava sentada à cama, tagarelando e tirando sarro de tudo. Tão logo estourou a bolsa - o que ninguém previa, já que a cesariana tinha sido antecipada -, e apesar das contrações, ela manteve a calma, acariciava a barriga e continuava sorrindo. Quando a dor apertava um pouco, ela fechava os olhos e contraía os lábios. Em silêncio, sem jamais reclamar de nada.

Foi para a cirurgia sorrindo. Como quem vai ao banheiro - ops, toalete, porque ela é fina, rsrsrs.

Não vi, é claro, o nascimento da Lili - essa emoção só dizia respeito aos pais. Mas compartilhei da alegria dos avós ao me dar conta de que fui uma das primeiras pessoas a ver a menina depois do parto. A emoção é indescritível!!!

Voltei a visitar a Dé dois dias depois da cirurgia - afinal, eu sabia que a nenê estava bem, mas também queria saber da mãe. Encontrei minha amiga, claro, toda feliz da vida, orgulhosa pela beleza de suas crias. O que não é de se estranhar. Mas, o que me surpreendeu foi vê-la de brincos. Embora ela sempre os utilize, isso me deixou envaidecida por tomar conhecimento desta capacidade feminina de se manter vaidosa e bonita, apesar das dores e dos sustos.

Eita mulher porreta essa Dé. Quando eu crescer, quero ser como ela. Uma lady!

Obrigada por você e sua família estarem em nossa vida!

quarta-feira, novembro 01, 2006

Alegria, alegria

Definitivamente, a felicidade mora numa piscina de bolinha.
Não existe nada melhor:
O sapato apertado cede espaço para que os dedos se libertem das amarras.
O tempo, nublado, repentinamente fica ensolarado.
Os segundos ficam em súbito suspense.
O dia acinzentado com as preocupações, ganha pinceladas de cores primárias.
A idade deixa de pesar às costas e a cabeça esvazia-se, como num passe de mágica.
Mas, talvez nada disso fizesse sentido não fosse a música deliciosa vinda da gargalhada encantada da dona Melissa, feliz com a chuva de bolinhas que eu inventei para animá-la.
Há séculos não passava por minutos tão sublimes e com uma companhia tão perfeita.
De quebra, ainda ganhei um abraço espontâneo, com direito a beijinho e tudo!!!
E ela ainda aprendeu a dar tchau de pé com a Dju-dju!
Foi a realização suprema do ano!
Beijo Mel!