segunda-feira, outubro 30, 2006

Cale-se, assim você me deixa louca!

Por quê será que as pessoas gostam de som alto?
E por quê os repetem tantas e tantas vezes?
Por quê, quase sempre, este som é de um tremendo mau-gosto?
E, por quê raios isso acontece justamente quando se está cansada, irritada, com sono, com calor e tendo de correr contra o tempo? E bem debaixo da minha janela? Com toda a pirralhada do prédio macaqueando em volta do vizinho barulhento?
Hein? Hein? Hein?

quinta-feira, outubro 19, 2006

Seriam os tempos outros?

Quando estou na rua, adoro ouvir conversa alheia. E já não é a primeira vez que ouço mães de adolescentes tendo verdadeiros chiliques ao descobrirem que seus pimpolhos de 15, 16 anos estão a andar sozinhos pelas ruas. O que me choca é que o medo é inversamente proporcional à qualidade do bairro de que estamos falando. O que quer dizer que, quanto mais bacana o lugar, maior o estresse.

Não estou falando, é claro, de dondocas milionárias, que teriam motivos para temer que sua prole fosse vítima de sequestro relâmpago, por exemplo. Mas da famigerada classe média que teme que seus rebentos atravessem a avenida Santo Amaro sozinhos ou caminhem até a padaria da esquina para comprar um picolé. São mães que acham estupidez o filho de 22 anos sair de casa para morar com um amigo e, para não deixá-lo à míngua, insiste em lhe pagar a mesada.

Ok, ok. Não sou mãe. Mas não tive essa mamata, a meu ver exagerada.

Desde o seis eu já buscava o pãozinho na vendinha da esquina - tudo bem, bastava descer até a rua e andar três casas para frente. Mas a vendedora era uma bruxa e adorava fazer terrorismo, dizendo que não tinha troco quando eu sabia que tinha. Odiava-a com todas as minhas forças - a ponto de desejar que ela abortasse para que aquela criança que vinha em seu ventre não sofresse com aquela figura que, na minha imaginação infantil, era a encarnação do demo.

Quando completei 10 anos ganhei uma espécie de alvará de soltura: minha mãe me levava apenas até o ponto de ônibus e, do Embu, ia sozinha para a escola, que ficava no Campo Limpo (o que significam 15 quilômetros de distância, mais ou menos, num dos bairros considerados mais perigosos de SP). Passava por debaixo da catraca, subia no banco mais alto para puxar o sinal. A cada dia eu descobria uma coisa nova: os tiques nervosos do motorista velho que adorava dizer que não pararia no meu destino; o cobrador risonho que paquerava as gatinhas; a velhinha ranzinza; a quantidade de semáforos pelo caminho. Um dia peguei o ônibus errado e tomei um susto quanto me vi tendo de descer no meio do caminho e correr feito uma louca desesbestada para chegar antes do portão da escola ser fechado (corria, porque naquele tempo eram poucos os ônibus). Ainda conservo o nervosismo peculiar toda vez que me perco pelos caminhos da vida. Mas lembro com carinho daquelas primeiras sensações de liberdade. Na minha cabeça, ir sozinha já era um sinal de que eu estava adulta!

Quando me mudei para o lado da escola, ainda assim ia sozinha, desta vez carregando a irmã a tiracolo. Nas tardes de verão, fazia caminhadas homéricas com os amigos pelo bairro.

Aos 14 anos, passei a estudar num colégio distante 10 quilômetros da minha casa. Era obrigada a levantar às 6h e pegar o busão das 6h30 se eu quisesse entrar nele e chegar a tempo na aula. Era um sufoco, mas sempre tinha algum amigo junto e o tormento de ir amarrotada, sacolejando, acabava compensando pelas gargalhadas no caminho.

Nunca tive mesada. Portanto, se eu quisesse sair, ou economizava no lanche da escola, ou ficava em casa. Ou, claro, ia trabalhar.

Ouvir os papos destas mães, portanto, me soa tão estranho e distante da realidade quanto imaginar ETs de cinco braços dirigindo uma moto na Avenida Paulista. Surreal.

Fico pensando se a violência dos dias de hoje justifica tanto cuidado. Independente disso, tempo que a próxima geração será formada de patrícias e maurícios bundões, que só se interessam pela marca e pela balada do momento, sem nenhuma visão para o que acontece à sua volta. Uma lástima!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Ode ao ócio

Tem dias que dá vontade de fechar a lojinha e não fazer absolutamente nada. Nada que seja realmente produtivo, lucrativo, engajado.
Hoje, foi um dia assim.

Fiz o que estava ao meu alcance. Assim, sem precisar fazer nenhum esforço. Mesmo. Se caiu no chão, não me dei ao trabalho de agachar para colocar no lugar. Nem de ficar nas pontas dos pés.

Praticamente um zero à esquerda.

Decidi cuidar de mim. Da beleza da pele, do descanso à mente, da alimentação... hum, bem, não tão bem balanceada assim, mas ainda assim, leve.

Mas acho que exagerei um pouquinho, rs.

Quando eu dei por mim, dormi mais do que deveria, preguicei mais do que o necessário, sequer dei início à leitura de um novo livro - preferi a revista mais light da prateleira. A louça suja continua na pia, a cama ainda está desarrumada e a fita ainda aguarda minha trasncrição.

Mas é tão bom se permitir esses pequenos prazeres.

terça-feira, outubro 17, 2006

Sob o feitiço de Julián Carax

Lembro-me como se fosse hoje da alegria que senti ao ganhar o livro "A Ilha Perdida", de Maria José Dupré. Tinha então 10 anos e era a primeira vez que chegava às minhas mãos um livro com mais letras que figuras.

Num primeiro momento, o desafio me intimidou. Mas depois que li a primeira página, fui me envolvendo com a história e descobri, na leitura, a possibilidade de viajar e conhecer lugares inimagináveis, viver aventuras impossíveis sem precisar sair do meu quarto. Depois dele, vieram outros, tão bons ou melhores e até ruins. Mas, foi a partir do romance de Dupré que minha vida mudou pra sempre.

É por isso que, mesmo com a capa capenga e as folhas amarrotadas, o livro ainda tem um lugar cativo na minha estante. Qualquer um pode ser trocado, doado, devolvido. "A ilha perdida", ao contrário, estará sempre comigo. Tal qual um amigo querido. Ou um objeto precioso.

Talvez por ter acontecido isso comigo é que, ao iniciar a leitura do "A sombra do vento", de Carlos Ruiz Zafón, senti-me como se voltando no tempo, martirizando-me por não conseguir ler mais rápido, por precisar interromper a leitura seja lá por qual motivo e abandonar, ainda que momentaneamente, os personagens que me cativavam a cada instante.

O livro conta a história de um menino de 11 anos, Daniel Sempere que, ao visitar o Cemitério dos Livros Esquecidos, é estimulado pelo pai a escolher um livro desde que se comprometesse a cuidar dele para o resto da vida. E, claro, guardar segredo sobre aquele estranho recinto. É então que ele se depara com "A sombra do vento", de Julián Carax. Daniel a escolhe como seu livro de cabeceira. Mas no fundo, o menino desconfia que foi a obra que, de fato, o escolheu como companheiro de jornada.

A curiosidade de Daniel não se limitou, como se poderia supor, à simples leitura da obra. Completamente envolvido com a trama e transformado em repentino admirador de Carax, o menino, com a empolgação peculiar da juventude, passa a fazer de tudo para descobrir mais sobre o escritor - um autor desconhecido, cujas obras foram estranhamente destruídas ao longo do tempo. A busca do menino por mais informações sobre Carax, seus livros e sua vida, acabam-no envolvendo num estranho roteiro de intrigas, assassinatos, romance e suspense.

O mais lindo do livro, porém, é a história de amizade que nasce entre os personagens que passam a se relacionar com Daniel. E, claro, a sinistra sintonia existente entre o romance de Carax e a própria vida de Daniel, que parece refletir, na realidade, as palavras do autor.

Como escrito na própria contracapa, "A sombra do vento" é uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros. Um primor. Um presente aos olhos e à alma.

terça-feira, outubro 10, 2006

Mais um sonho estranho

Dois tipos de sonho me perseguem. Com mar e com trem.

Em ambos os casos, eles só acontecem em momentos muito específicos, como quando estou passando por momentos conturbados e de grande preocupação (no caso do trem) ou quando são premonitórios. Nesta brincadeira, previ o tsunami na Indonésia um mês antes dele acontecer.

Pois bem. Hoje, sonhei com uma amiga que não é mais minha amiga.

Sem muita explicação, ela me adicionou no orkut e, numa viagem cósmica, eu fui parar com ela num barco em Ubatuba, onde estaria passando as férias. Continuava bonita, mas estava mais séria. Eu a via, mas ela não podia me ver. Estava com sua mãe tagarela, e parecia entediada, apesar da paisagem maravilhosa que se descortinava ao redor.

Sei lá o que aconteceu que, de uma hora para outra fui parar no mar, como se a embarcação tivesse virado, embora o mar estivesse calmo e límpido. E, entre braçadas em direção à praia, um tubarão martelo começou a me perseguir. Nadei até uma espécie de cais, onde um velhinho, parecido com o pai desta amiga, me ajudou a subir às pedras. Sem o estresse de ter de me salvar das dentadas de um peixe assassino, pude notar que o bicho, pequeno e mais assustado do que eu, na verdade não me perseguia, mas pedia minha ajuda. Ele estava ferido e sangrava muito. No final de tudo, acho que conseguimos salvá-lo. E eu acordei.

Estranho, mas sempre sonho que estou nadando para me salvar. Numa outra encarnação devo ter morrido afogada, rs

Pesquisando por aí, fiquei sabendo que sonhar com mar, em geral, é visto como um sinal de novos tempos e prosperidade. O tubarão, dizem, é sinal de superação das dificuldades. Será?

Independentemente do significado, espero que essa ex-amiga esteja bem. E feliz.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Sacrifício público

Causa-me vergonha e revolta a cobertura da mídia sobre o vôo 1907 da Gol. Com todo o respeito ao sofrimento e pesar dos parentes e amigos das vítimas, o que tenho visto publicado não é jornalismo, mas um roteiro de filme de terror da pior qualidade.

A falta de informações esclarecedoras, por si só, já justificaria uma cobertura discreta. Mas é claro que o mundo está pouco se lixando para isso. O que interessa é aproveitar a comoção da sociedade e manter a audiência.

Como se não bastasse, a Gol tem sido tratada como algoz, e não como vítima da situação. Até o cancelamento de um vôo por problemas técnicos, um procedimento rotineiro em TODAS as companhias, virou notícia. A última notícia divulgada no final de semana informou sobre a derrapagem de um avião da Gol no aeroporto de Congonhas. Essa não é a primeira vez que isso ocorreu e sabe-se que acontecimentos deste tipo são bastante comuns no local. Por quê, então, ao invés de apontar o dedo para as companhias, não exige-se do aeroporto uma manutenção efetiva na pista?

É evidente, portanto, a tentativa da imprensa de colocar em dúvida a credibilidade da companhia. Na minha humilde opinião, sem qualquer motivo. Em outras condições, fatos como estes últimos jamais seriam noticiados. Principalmente porque quem viaja de avião sabe que alguns aborrecimentos são frequentes.

Eu, por exemplo, viajei pouquíssimas vezes e já passei por uma turbina quebrada em pleno vôo, forçando a volta da aeronave ao aeroporto para reparos (imagine o susto ao descermos do avião e vermos uma série de bombeiros em volta da gente). Nem por isso a companhia aérea e o incidente viraram notícia.

Também já fui "esquecida" no aeroporto e atendentes da empresa pela qual eu fiz a viagem tiveram a pachorra de me informar que os pilotos decidiram "voltar" para me pegar. Soube depois pelos passageiros que, ao contrário do que me foi informado, eles ficaram presos por uma hora dentro do avião estacionado, porque ele precisou passar por reparos de última hora. Os atendentes, porém, preferiram tirar uma com a minha cara ao invés de me esclarecerem sobre o ocorrido. O episódio, claro, jamais faria parte das manchetes dos jornais.

Como se não bastasse, temos de ouvir a condenação pública dos pilotos do Legacy envolvido no acidente. Novamente, respeito a dor de quem perdeu algum ente querido na tragédia. Também não quero ser a advogada do diabo. Mas, daí compará-los a terroristas não é um pouco demais? Teriam eles cometido o erro propositalmente, com o intuito único e exclusivo de matar 154 pessoas inocentes em troca de nada?

Discrição e imparcialidade na cobertura não são apenas uma obrigação social. Mas um respeito ao sofrimento alheio e ao trabalho de uma empresa nacional que emprega centenas de pessoas e que tem mostrado empenho em resolver a situação da melhor maneira possível.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Não resisto


Eu li, pesquisei, conversei com cientistas políticos, analisei, ponderei, comparei. E agora torno público.


Cuidado ao soluçar

Segundo o pesquisador Francis M. Fesmire da Escola de Medicina da Universidade do Tennessee, para crises intermináveis de soluço nada melhor do que uma massagem com o dedo no reto. Não foi por acaso que ele ganhou o IgNobel, uma paródia do reconhecido Prêmio Nobel.

Sabe aquele amigo sem noção? Melhor não soluçar perto dele, rsrs

Resposta única

* O que leva as pessoas a acreditarem que seus bons salários e seus excelentes cargos profissionais justificam tratar com humilhação, arrogância e desrespeito quem está em condições menos favoráveis?

* O que faz as pessoas acharem que o sonho delas são mais importantes que os meus?

* Por quê as pessoas querem impor às outras as próprias maneiras de pensar, agir e até realizar ações?

* Por quê se sentem tão inferiorizadas quando são corrigidas ou quando alguém se propõe a ajudar?

* Por que as pessoas mandam e-mails, dizem o que pensam, se intrometem na vida alheia e ficam irritadas quando recebem respostas que não condizem com a sua opinião?

A humanidade padece de um único mal: o individualismo. É por causa de seus próprios umbigos que ninguém mais respeita o outro e suas diferenças. O certo é aquele que se parece comigo. O que pensa como eu. O que faz como eu.

Eu posso, eu quero, eu tenho, eu sou.

Por isso, é cada vez mais complicado manter a união familiar. Manter as amizades. Conquistar a paz mundial.

Falta coragem para sair da caverna e conhecer outra cultura, outras formas de pensamento e de entendimento. Falta capacidade para trocar informações e ponderar novas opiniões. Falta honestidade nas relações. Falta respeito ao outro. Falta sabedoria e caráter. Falta amor.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Prisma natural

Da minha janela, a composição das cores é quase um paradoxo. Enquanto o céu escurece num cinza tenebroso, algumas clareiras dão espaço a um azul tímido, quase inexistente. As gotas da garoa deixaram o verde das árvores ainda mais intensos e os pássaros dançam um balé descoordenado, apressado.

Pertinho, ouço o canto de um sabiá, de um bem-te-vi e de várias outras aves. Ao longe, um carro ou outro passando pela rua molhada.

Ao norte, onde a chuva ainda não chegou, o céu apresenta tons de azul e vermelho.

Uma brisa suave entra pela casa, trazendo um cheiro de terra molhada. E os insetos que entram pelas frestras mostram que já é hora de fechar a casa.

Apesar do horário, tenho horas intermináveis de trabalho pela frente. Mas esse momento de contemplação é de pura felicidade.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Riqueza nos detalhes

* Uma visita inesperada.
* Uma caixa repleta de bilhetinhos de amigos e conhecidos desejando felicidades.
* Uma tela escolhida a dedo.
* Uma vela e uma camiseta feita exclusivamente pra você.
* Um telefonema no meio da tarde.
* Um e-mail exclusivo, dizendo que se lembrou de você por ler um livro ou ver uma paisagem.
* Um cartão de aniversário - real, não virtual.
* Uma flor.
* Receber um chocolate comprado no meio do caminho.
* Café da manhã na cama.
* Uma carta de amor publicada no blog para todo mundo ler.
* Uma carta de amor lida em público no meio de uma cerimônia.
* O bolo favorito.
* Alguém te comprar um doce só por saber que você adora.
* A presença garantida de um amigo à sua festa, mesmo sabendo que ele está doente, cansado e duro.
* Preparar uma surpresa para alguém.
* Beijo roubado.
* Borboleta passando na janela.
* Canto de passarinho.
* Um livro legal.
* Receber o telefonema de alguém que está ouvindo uma música que faz lembrar você.
* Uma carta de alguém que você não vê faz tempo.
* Convites especiais: para um jantar, para um café colonial feito em casa, para a apresentação de um grupo que você nunca ouviu falar, mas que tem tudo a ver com você.
* Convite para uma volta no shopping, um filme ruim, ou um chá no calor. O motivo não importa. Porque o que interessa é a companhia.
* Canecas e pijamas. Pantufas e CDs.

Ser feliz e fazer feliz é uma das coisas mais fáceis do mundo. E custa barato.

Ainda bem!

terça-feira, outubro 03, 2006

Amo-te

Coisa mais difícil explicar a alguém porque o amamos.

Amo você porque, no exato momento em que te vi, uma vozinha sussurou no meu ouvido dizendo que você seria o grande amor da minha vida. Mesmo torcendo o nariz, demorou menos de dois meses para eu constatar que você era adorável. E outros seis anos para eu perceber que estava perdendo meu tempo insistindo em ficar longe de você.

Meu amor por você nasceu quando eu percebi existir um brilho intenso e vivo que eu só via nos seus olhos. É este brilho que me faz esquecer o tempo, os problemas, as dores, os rancores e disabores da vida. Vendo-me refletida em seus olhos, passo a acreditar no infinito e na certeza de que nada vale a pena, a não ser o amor que sinto quando estou com você.

O calor de suas mãos que me protege, as gargalhadas que saem soltas e despreocupadas nos momentos mais imprudentes, as discussões acaloradas sobre sonhos e ideais. A paciência por ouvir meus rompantes e a tranquilidade em lidar com minhas oscilações de humor. A disposição eterna em ajudar (ainda que desastradamente) e a eterna alegria de viver.

Se tudo isso não for motivo suficiente para amar você, então, saiba apenas que: Amo você porque sim!


Feliz aniversário, meu amor!

PS: noossaaaaaaa como o amor é brega! rsrsrs

segunda-feira, outubro 02, 2006

Pão e circo

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e leões nos quintais
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer
De puro aço luminoso punhal
Para matar o meu amor e matei
Às 5 horas na Avenida Central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes, procurar, procurar
Mas as pessoas da sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
(Caetano e Gil)

De luto pelo Brasil

Desculpem-me a chatice dos últimos dias, mas não há bom humor que sobreviva às notícias deste país. Em página pública, até para inglês ver, estão todas as informações relevantes sobre os candidatos a deputado federal e estadual que concorreram nas últimas eleições. Basta acessar o site http://www.transparencia.org.br e a pesquisa é rápida e bastante elucidativa.

Pois bem. De nada adiantou tornar públicos os inúmeros processos judiciais a que o candidato responde, nem a informação de que ele foi preso por cometer crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha. Embora ele negue, a Justiça brasileira tem documentos que apontam a movimentação de US$ 446 milhões em contas de que consta como beneficiário em paraísos fiscais. Embora tenha declarado receber R$ 6 mil para as campanhas, gastou apenas R$ 13,25. Apesar de tudo isso pesando contra o candidato, Paulo Maluf conseguiu se eleger deputado federal com quase 740 mil votos.

Sem contar em outras pérolas que foram eleitas como nossos representantes.

Estou de luto pelo país.

Bertold Brecht já dizia: ""O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política nasce o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra e corrupto".